sábado, 26 de setembro de 2009
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009
O VALOR DAS PEQUENAS COISAS

Recebi na igreja em Guarulhos o amigo Moisés Nascimento. Ele é autor do livro que dá título ao meu comentário hoje. O livro do amigo é devocional. Nele, Moisés ressalta como pequenas coisas podem ter um significado gigante em nossas vidas.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
SEM MÁSCARA
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
CASAMENTOS SÃO COMO ORQUESTRAS

Músicos e instrumentos a postos; peça devidamente ensaiada para uma bela execução. Nas primeiras frases musicais, porém, algo destoou: faltou o si bemol do trompete. Na platéia quase ninguém sabia ler partitura, mas todos perceberam a dissonância.
Assim o é no campo dos relacionamentos. “Dois não andarão juntos” – acena o profeta – “se não estiverem de acordo” (Amós 3.3). Acordo é a palavra que dá raiz a acorde; “acorde” é o elemento fundamental da harmonia. Portanto, sem acorde não haverá harmonia nos relacionamentos.
Lares sem acordo são orquestras mal ensaiadas. Normalmente, a ausência de acordo entre marido e mulher reverbera o som dissonante na vizinhança. Já os lares em acordo fazem ecoar o belo som da família que se deixa reger pelos princípios da Palavra de Deus.
Todos nós conhecemos ambos os lares: os mal-ensaiados e os harmoniosos. Ambos são bem falados, mas preferimos mesmo que da nossa casa se ouça uma bela sinfonia. Para tanto, fez-se necessário que os instrumentos estejam plenamente colocados, afinados em seu próprio tom e bem tocados.
No naipe dos relacionamentos, a fé, o perdão, a graça e o amor são instrumentos fundamentais.
Fé não deve ser apenas a expectativa de um milagre. Deve, sim, ser o instrumento que permite ao casal enfrentar os dilemas do casamento de cabeça erguida, consciente de que Deus permanece o mesmo, soberano, que mantém o controle de todas as coisas.
Perdão faz dueto com a fé. É impossível perdoar se ainda houver desconfiança. E de nada vale uma fé que não seja capaz de levar o alguém à consciência do perdão.
A graça entoa o perdão. Isso porque na família todas as imperfeições se desnudam. O casamento é o lugar onde expormos nossas limitações e falhas, ainda que as queiramos encobrir: desde o Éden é assim. Conseqüentemente, uma vez expostas nossas falhas, carecemos da execução da graça – o poder para tolerar as fraquezas. Se for desprovido de graça o lar não conhecerá o perdão.
O instrumento principal é o amor. Muito mais que um sentimento, o amor se revela em atitudes que dinamizam o relacionamento. Graça, perdão e fé são provenientes do amor. Sem amor, um lar se reduzirá a uma sociedade formal, sustentada apenas pela conveniência. Sem amor o sofrimento se torna insuportável, não há tolerância, apenas contenda. Tudo fica díssono.
Todos estes instrumentos – fé, perdão, graça e amor – podem desafinar, mercê das circunstâncias da vida. Mas a família que tem Jesus como maestro sabe a quem recorrer: humildemente, clama pela intervenção daquele que afina perfeitamente. Pelo Seu Espírito, o Senhor ajusta cada um ao seu devido tom, “comas”[*] cuidadosamente educados.
A oração e a leitura bíblica são as ferramentas de que a família dispõe para que os lares encontrem seu acorde. Ainda que o processo de ajuste seja um tanto desconfortável (Deus tem sua maneira especial de afinar nossos instrumentos – 2 Coríntios 4.8-16) o fim será sempre uma bela sinfonia. Os vizinhos agradecem!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
"Cada um no seu quadrado!"

A secularização do cristianismo corrompe os bons costumes. Nossa geração conhece muito pouco de vida cristã, aquela que assevera haver alguma diferença entre os justos e ímpios, entre os que servem a Deus e os que não servem; aquela que aponta "cada um no seu quadrado".
Igrejas Pós-Modernas?
Gosto de falar da Pós-Modernidade. Aliás, gosto mesmo da concepção de Lipovetsky – hipermodernidade. Talvez este termo seja mais apropriado para definir os tempos que vivemos. Para Gilles Lipovetsky vivemos tempos em que o superlativo da modernidade se acomoda promovendo uma “asfixia” de valores, relacionamentos, princípios, etc.
Este é o cenário no qual as igrejas vão se expandindo. Crescem a ritmo acelerado, mormente as neo-pentecostais, com suas promoções ao tom das expectativas: milagres imediatos, riqueza abundante, saída fácil para questões complexas – nada que uma campanha de sete semanas não resolva.
Mas o cenário esconde em seus bastidores cenas cruéis de pessoas sozinhas e aflitas, mascaradas da fantasia vitoriosa; esconde uma sociedade doente, cuja moral sofre golpes violentos diariamente. Uma sociedade sem rumo, um país perdido, uma igreja inoperante.
Inoperante, sim! Sua tarefa parece insólita e superficial, interessada apenas no discurso, nunca na vivência.
Sinto isso na pele. Recentemente atendi, numa mesma noite, um médico (antes de um culto) e um casal de mendigos (após o culto). Fiquei estupefato que ambos me procuraram com o mesmo dilema existencial, embora o primeiro percebesse salário mensal de cifras expressivas. O casal de mendigos – pasmem! – não queria dinheiro. Foi o mesmo que ouvi do médico assalariado e imerso em dívidas que não conseguia pagar.
O casal de mendigos pediu socorro, pois, viciado em craque, buscava recuperação. O homem já foi empresário – disse ele – e a mulher, musicista. Perderam tudo por causa das drogas.
O médico já pensou em suicídio. Asseverou que “nada dava certo para ele” e queria conhecer o Jesus pregado nas igrejas da modernidade. Não queria conhecer um Jesus manco, incapaz de fazer milagres! Ele queria o Jesus dos milagres, que lhe ajudasse de forma sobrenatural a pagar suas dívidas.
A ambos eu ofereci praticamente o mesmo remédio. A situação deles se igualou no contexto da alma. Ambos são vitimas desta hipermodernidade que exige que o ser seja apenas um vivente sem humanidade. Ambos precisavam de Deus em seus corações, e de alguém que lhes socorra, enxergando suas almas por entre as escamas da aflição.
A igreja peca aqui. Peca por avaliar as questões sociais apenas pelo prisma espiritual. Peca por não compreender que sua missão é incompleta se contemplar apenas o espiritual. Não foi assim na igreja primitiva.
O modelo bíblico de igreja parece mais apropriado para nossos dias, embora ele esteja preso na história. Lá, havia uma plena consciência do papel social, da importância de atender ao necessitado. A igreja primitiva – que avançou “sem impedimento algum” (Atos 28.31) – interferiu no plano político e social, mudou estruturas. Se acomodou, bem verdade, quando se associou ao Estado. Mas na Reforma, mais precisamente com Calvino, retomou sua missão diaconal no sentido mais pleno e interferente.
Uma vez mais a igreja se amoldou à forma do comodismo até chegar o Movimento Pentecostal. Movidos pelo Poder do Espírito, os crentes quiseram mudar o mundo focando apenas o espírito das pessoas. Deu certo, em certo sentido.
Mas não posso entender que seja apenas esta mudança interior que tiraria os mendigos da rua. Nem mesmo esta mentalidade livraria o médico de seu dilema. Gostamos de praticar a sugestão paulina de “entregar o corpo ao diabo” para livrar o espírito. Fazemos isso todos os dias, pois é mais cômodo.
A igreja na hipermodernidade precisa repensar sua missão. O crescimento exponencial se assemelha às promoções dos hipermercados. Enquanto há promoção, há crescimento. Tudo ao gosto do cliente consumista, que compra o que não precisa, com o dinheiro que não tem, para impressionar a quem não conhece.
Mas igreja não é negócio. Igreja é a agência de transformação social. E esta não poderá ser real se apenas maquiar o indivíduo cru. Tem que agir nas vacâncias do Estado sem se comprometer com ele. Tem que promover a vida como um todo, valorizando espírito, alma e corpo, holisticamente. Tem que se envolver com as questões sociais, sem eleger representantes. Tem que amar, sem hipocrisia. Tem que acolher, sem explorar. Tem que correr, não na velocidade estonteante dos tempos que nos sufocam. Tem que fazer alguma coisa que exceda a pregação idealista, para não se perder no seu discurso. Os dias são maus.
Missão Desafiadora

O crescimento do número de evangélicos no Brasil é vertiginoso. Dizem que em 2020, metade da população brasileira será evangélica. Tal fato insta para uma preocupação: em que proporcionalidade o aumento de evangélicos no Brasil interfere na mudança social?
Decerto que a pregação evangélica versa pela mudança do comportamento de uma comunidade. Sobre o assunto, basta considerar o que dizem os sociólogos que pesquisam a mudança do comportamento social – interferente até nos maneirismos – provocada pela conversão ao Evangelho. No entanto, tal influência não parece acompanhar o ritmo do crescimento evangélico.
Há estados, como o Rio de Janeiro e Espírito Santo, que registram percentuais acima de 30% de evangélicos, porém permanecem seus índices de violência, tráfico de drogas e corrupção social sem alterações relevantes. Assim, torna-se importante reavaliar a ação evangélica como promotora de mudanças sociais.
O problema talvez resida nas motivações da igreja. Na era do hiperindividualismo, cada um se preocupa consigo. Não há espaço para se preocupar com o parente, que dirá do vizinho! Assim, nosso evangelicalismo vai se tornando socialmente inoperante.
Os templos evangélicos, em sua maioria, ficam fechados durante todo o dia. São guardados para alguma conferência, para as campanhas, para os cultos regulares duas, três vezes, por semana. O espaço ocioso poderia ser muito bem aproveitado se a liderança atual tivesse uma visão mais ampla de sua missão.
A missão evangélica apresentada desde os primórdios nunca se limitou às questões espirituais. Foi (e deve ir) além. A missão evangélica tem que compreender seu aspecto diaconal como foi instruído pelos reformadores: uma ação que também opera nas camadas sociais em favor da educação, da qualidade de vida e da paz.
Nossa indiferença quanto a estas questões põe em cheque a importância do crescimento exponencial do número de evangélicos: se esse crescimento é incapaz de agir em favor da transformação social, nossa missão está comprometida!
Hoje temos templos lotados e famílias destruídas; Cruzadas gigantescas e a violência imperando nos corredores sociais; gente pregando cura, prosperidade e libertação – “bênçãos” que contemplam apenas uma pequena e insignificante parcela dos que ouvem tal mensagem. E assim caminha a cristandade!
A igreja, mormente a liderança, deve se atentar para isto. Não temos o quadro atual por falta de opção, mas pela ausência de visão. Eis algumas alternativas:
OCUPAR OS TEMPLOS DURANTE O DIA COM ATIVIDADES EDUCACIONAIS – cursos profissionalizantes, palestras para desempregados, conferências sobre drogas, violência e família.
PROMOVER A AÇÃO SOCIAL POR MEIO DE PROGRAMAS ESPECÍFICOS – a igreja deve se comprometer socialmente (não apenas com cestas básicas) agindo nas vacâncias do Estado – a igreja tem mais penetração social do que o Estado e isso não deve ser neglicenciado.
CONSICENTIZAR OS CRENTES DO SEU PAPEL DE PROMOTOR DE MUDANÇAS – ninguém está onde está por acaso! Cada um deve ser agente missionário em sua camada social.
FOCAR AS PREGAÇÕES TAMBÉM NAS NECESSIDADES DA COMUNIDADE – sem apelar para a Teologia da Libertação, a igreja pode, sim, minimizar as carências da comunidade com programas que foquem tais carências.
COMPROMETER-SE A VIVER PLENAMENTE O EVANGELHO QUE PREGA – a igreja primitiva “contava com a simpatia de todo o povo” por conta de seu modus vivendi.
O evangelho não está desprovido destas verdades. A verdade do evangelho, a verdade que liberta, transforma, é a verdade que busca alcançar a todos sem discriminação. É a verdade que constrói pontes entre Deus e os homens – dando a estes o acesso às maravilhas da graça. A missão é desafiadora, mas há de ser a mais plena e relevante para trazer Cristo de volta.




